quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A Cara Da Mídia Com Seus Cortes Profundos/ A Primeira Virada

A Cara Da Mídia Com Seus Cortes Profundos

O uso espontâneo do V de Vingança como símbolo do movimento "Não é apenas por 0,20 centavos, é por justiça", que se espalhou pelo Brasil afora, marca a cara do cinismo da mídia brasileira, e dos manifestantes, que devolvem o mesmo com uma cara marcada com cortes fundos. Desta maneira é que se estabelece o diálogo com a mídia (principalmente a Rede Globo), pois se querem nos dar um herói americano, que seja um herói que combate o cenário manipulador da própria mídia americana, e que enxerga a nobreza que há por baixo de cada máscara, ou seja, todas as conquistas e produtos do povo que tentam manipular. E as marcas no rosto da mídia persistem em frases como "O gigante acordou", e as diversas paródias com tudo o mais que subestime o povo, como o grito "Vem pra rua! Vem pra rua! Vem pra rua!", que faz parte de uma propaganda da Ford, mas que também é tratada com cinismo, pois se querem carro na rua, queremos o povo reivindicando seus direitos e suas conquistas, remetendo aos famosos versos da letra "Brasil" ("Vamos pra rua/ Vamos pra rua"), de Cazuza, que fala que o Brasil é medroso, e que vai haver uma revolução ao contrário da de 64. E, já que trouxe Cazuza, relembro os versos de "Burguesia" ("Pobre de mim que vim do seio da burguesia/ Sou rico mas não sou mesquinho (acrescento, fui criado pela mídia mas não sou mesquinho)/ Eu também cheiro mal/ Eu também cheiro mal".

24 de Junho, 2013.


A Primeira Virada

Vi um edifício virar a face da Dilma, guerrilheira, numa visão aguda, ditadura, com cara de poucos amigos, parecida com o meu amor, naquela imensidade de gente. Quem diria, hein, que a guerrilheira ia dar a volta por cima! Nunca mais esquecerei essa projeção, sem Batman, planta daninha, diretamente do subsolo. O som era arabesco, a lírica bufólica. A Céu, que tava numa casa simples, no entorno da Gruta da Onça, foi a síntese latina do cruzeiro do sul, com antilhescas dores de cotovelo, banhando o chão da Rua Sete, feroz, Sagaz, doce como RAPadura, embolada sincera, homem bomba, errando assim, sinceramente. Isso porque o sol estava no violão, nas barbas do rapaz, nos vãos. Com o álcool já na cabeça chamei a maquiadora dos Bardos de maquiagista, e insisti na especialidade, embora ela insistisse ser maquiadora; estava eu de cinegrafista? Com a cabeça cheia de conexões impossíveis, de segundos niilistas, das frases sem paradeiro daquele que cantou na Casa Porto das Artes. E os drones? Foram implodidos no plano molecular? Estava eu servindo de boi de piranha nesse imenso rio da Jerônimo Monteiro, por onde passou o cortejo da banda de congo Amores da Lua? Minha garota tava com cara de poucos amigos, mas com muita alegria dentre os poucos; eu, lia toda a intervenção, rindo um bocado. De madrugada fomos pra casa dela, tudo estava confortável nos braços da guerrilheira, por onde passou muitas águas fílmicas, com algas, sem algas, mas de um brilho límpido, dos olhos de luar, da página que nunca mais esquecerei. Se depender de mim terão outras, com a cara da guerrilheira.

15 de Setembro, 2014.

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