sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
A Árvore Da Memória No Badalar Dos Sinos Natalinos
Deitar sobre o chão, escutando o som das raízes, no limite do subsolo, e sobre a sombra da árvore acolhedora ser um fruto que na idade madura se desprende pra ser livre nos dentes do mundo, ou se deteriorar, sem dentes, sem mãos que lhe ergam do solo, testemunhando as cores do sabor estendido nos livros, nos lugares por onde passa. Para o fruto que fica na árvore, após o amadurecimento, sutilmente namora-se as bicadas de um passarinho, desfazendo-se lentamente, ou mesmo, nas mordidas de um morcego, que agourento ou não traz nos dentes os arroubos da paixão, verá a pressa da morte, sem os cuidados da progressão cotidiana do passarinho com um canto de afago, embora dividam a viagem do sono durante o dia, presos no mesmo galho, por puro romantismo ou exibicionismo do morcego, usando do próprio esforço para descansar (e de cabeça pra baixo!), provocará o deslumbre e o estremecimento da árvore, das folhas, e de todas as frutas. A vida é assim, como a árvore, parada ou não lhe implica um movimento, um desarranjo para arrumar, vindo de dentro ou de fora, pode desprender um fruto, afagar um pássaro, espirrar com uma ventania, soltando algumas melecas de folhas; tudo se altera. Eu mesmo montei esse cenário após revisitar algumas memórias, por implicação de um filme que recebeu nota baixa do New York Times, da revista Rolling Stones e de boa parte da mídia formadora de opinião, cujo fruto se chamava Jonas, um jovem em formação para a profissão de Guardador de Memórias (talvez um tipo de escritor, oráculo ou sacerdote), designado por vocação e por não se encaixar em nenhuma outra (tipo no Divergent, pra quem assistiu, mas não podia trocar de profissão e raramente alguém era designado para esta). Aí não sei se o cenário me veio por conta da Baleia, do lugar perfeito que era sitiado, sem amor, sem paixão (ao menos para os alarmes da precisão de linguagem), da queda do fruto derrubando as fronteiras, dentro e fora do triângulo edênico, do movimento do mar (as cores) em seu corpo preto e branco, do amigo e da namorada, do garoto Gabriel, protegido por Jonas que foi além da casa da margem, após escapar dos perseguidores, que eu não sei se eram de Herodes, de Hitler, ou da CIA, só sei que era natal, e o garoto, se levar a sério a aprendizagem, passará pelas mesmas provas, jogando com as mesmas dúvidas da memória, entre o real e o ficcional. E imagino que durante o natal, ele não vai querer assistir a nenhum filme natalino, vai ser surpreendido pela memória, e vai ficar intrigado com os presentes, montando alguma árvore futurista.
27 de Dezembro, 2014.
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