segunda-feira, 16 de março de 2015

Vem Pra Rua e Vamos Pra Rua: Duas Tribos, Agora Sem Máscaras


Junho de 2013 foi marcado pelo movimento “Não é apenas por 20 centavos, é por direitos” cuja adesão e confusão de propostas fez com que o V de Vingança fosse o símbolo das manifestações, com forte adesão do uso da máscara pelos manifestantes, embora muitos já não a usassem. Março de 2015, a família classe média conservadora, que se sente parte da elite, não aguentou a força do carnaval, da paródia com o “Vem Pra Rua” da Ford, da paródia com a mídia manipuladora, e sobretudo não querem apreender a música “Brasil”, que diz: ("Pobre de mim que vim do seio da burguesia/ Sou rico mas não sou mesquinho (acrescento, fui criado pela mídia mas não sou mesquinho)/ Eu também cheiro mal/ Eu também cheiro mal", que eu já destacava em um texto que escrevi em Junho de 2013, imaginando alguma sinceridade e alteridade de parte da classe média, assumindo assim sua aliança com o povo e desconstruindo seus privilégios, recusando uma manipulação parecida com a que possibilitou a ditadura militar. No entanto, pude constatar na manifestação de domingo que o país não vai bem em redação, quando não é a da Globo, e a classe média conservadora ainda reclama de Paulo Freire, como se tivesse sido ele o responsável pelo tema gerador. E como se não bastasse, tive de assistir um agito de som com “Brasil” tocando no carro em meio a manifestação, constatando que Cazuza estava certo, eles veem “TV a cores/ Na taba de um índio/ Programada pra só dizer 'sim, sim'". Já aqui em casa, do outro lado, também vi a onda do povo, os peles vermelhas, contra a corrupção, sim, dos conservadores e ladrões que roubam o país há mais de 500 anos incluindo aí todo simulacro verde-amarelo, dos devastadores das matas, que também fizeram com que o povo nordestino sofresse por séculos com o amarelo da seca. E como a TV aqui de casa não estava programada, pude projetar um Brasil mais Maduro, uma classe média mais Madura, mesmo que dividida, e uma crescente resistência, dos que nunca dirigiram em propaganda da Ford, nunca dividiram mesa em propaganda da empresa JBS S.A., onde só sentam brancos e os negros os servem, mas que mesmo assim têm plena fé que esse não é o Brasil que o Gonzaguinha projetava em seu canto. E “vamos lá fazer o que será!” Vamos ou não vamos?!

16 de Março, 2015.

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