sexta-feira, 13 de março de 2015
O Cosmopolitismo Dos Exilados Na Luta Por Um Projeto De Homem
A melhor máscara de super-herói é feita de gaze, curativo e cara inchada, do sangue coagulado. Birdman, o Ícaro hollywoodiano, tem o seu charme feito de frases velozes, de uma verdadeira histeria Woodyalliana com a violência existencial de Godard. O estúdio da Broadway torna-se um grande labirinto, imenso para o espectador, embora pequeno para o cotidiano teatral de Riggan Thomson, a ponto de a rua ser uma extensão do camarim, onde sai pra fumar, de robe e cueca, tendo de deixar o robe ao ficar preso na porta e trancado pelo lado de fora. Enfrentar a rua sem a fantasia burguesa ou heroica a tempo de voltar e apresentar a peça é o verdadeiro teatro a céu aberto! E os flashes de celulares captam o inusitado da rotina burguesa, maravilhosa de tanto não se suportar! No que eu disse a minha companheira, que assistia comigo: Polanski é que vai gostar dessa nova leitura dos cômodos de apartamentos e departamentos kafkianos, quando assistir (na verdade disse sobre Woody Allen, a referência a Polanski adaptei agora), corrigindo-me logo em seguida, dizendo: Aliás, já gostou, né, pois com certeza já assistiu! Quem sou eu pra assistir antes deles?!, eles são os caras! A desconstrução norte-americana, os americanos desamericanizados; eu, um mero latino, como o diretor Alejandro González Iñárritu só posso lê-los e desfazer o sonho americano, quebrando a cara como todo mortal no contemporâneo da vida burguesa, ainda que um projeto de homem cresça ainda mais a cada queda de voo rasante; ainda que um tanto ignorante.
13 de Março, 2015.
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